Ficas - Compartilhando conhecimentos, transformando pessoas e organizações

Compartilhando conhecimentos, transformando pessoas e organizações

FICAS em Ação nº 73 - Fev / Mar 2019

Projeto Cambará: 5 anos de fortalecimento de organizações pelo Brasil
No ano de 2018, a parceria entre FICAS e Instituto Alcoa teve turmas no Pará, Maranhão e Minas Gerais.

"Minha querida, a metodologia do FICAS é muito boa! Se propõe a desenvolver o intelecto e a prática, fazendo com que todos se dediquem e participem ajudando-se mutuamente. Pela minha experiência e pelos relatos dos outros participantes, o Cambará proporcionou muitas coisas boas, conquistas e muita esperança". Foi assim que começou a conversa com Antonia Alves Miranda, professora aposentada à frente da Associação de Mães da Janaina, participante da turma de Desenvolvimento de Projetos do polo do Cambará em São Luís (MA).

De março a novembro, em cinco estações, variando de um a três dias de atividades presenciais, dependendo do tema trabalhado, aconteceu a 5ª edição do Projeto Cambará, uma parceria entre o FICAS e o Instituto Alcoa, que tem como objetivo fortalecer o papel estratégico das organizações da sociedade civil nas comunidades onde atuam e dos próprios territórios. O projeto faz parte do Programa de Apoio a Projetos Locais do Instituto e é direcionado a instituições de localidades onde a Alcoa está presente.

Em 2018, a iniciativa contou com duas turmas na capital maranhense (Desenvolvimento de Projetos e Gestão e Liderança), uma turma em Poços de Caldas (MG), com foco no Fortalecimento Institucional, e duas comunidades em Juruti (PA). As turmas de Juruti foram uma inovação no projeto, pois tiveram o objetivo de contribuir para que diferentes atores sociais locais (representantes de associações, escolas, postos de saúde, jovens, entre outros) se organizassem para realizar ações concretas em prol de seus territórios. A média de participantes foi de 30 representantes de 20 organizações por grupo/comunidade.

"Todo aprendizado é válido, porém este foi engrandecedor! Superou as minhas expectativas e já comecei a aplicar todo o conhecimento adquirido no meu dia a dia. Gostaria de destacar a maneira carinhosa e a preocupação da equipe FICAS em todas as etapas da formação e também o prazer que tive de participar de uma turma coesa e bastante humanitária", completa Antonia, de São Luís.

No Sudeste, o participante da turma de Poços de Caldas (MG) Vitor Martinelli concorda com a colega maranhense. "Ter participado do Cambará foi uma das coisas mais importantes que aconteceu na minha gestão da Comunidade Terapêutica Caverna de Adulão. Durante todo o ano, tivemos muito conteúdo sobre avaliação e isso nos ajuda a ver melhor o resultado do trabalho que estamos fazendo. Os temas apresentados sempre foram muito pertinentes, porque abriram nossa mente para a realidade da instituição", conta Vitor, presidente e fundador da organização que fica em Andradas. "O Cambará é uma iniciativa muito maravilhosa e vem somente agregar para as instituições. Só tenho a agradecer e elogiar! E espero poder participar de futuras edições", finaliza.

Em edições anteriores, além dos polos de 2018, o Projeto Cambará passou pelas cidades de Itapissuma (PE), Tubarão (SC), Santo André (SP) e São Paulo (SP).

> Confira fotos do Projeto Cambará no Facebook do FICAS.
> Saiba mais sobre o Instituto Alcoa.
> Saiba mais sobre os programas em www.ficas.org.br/programas.
(Fotos: Gil Rodrigues/FICAS)


Programa segue fortalecendo coletivo de mulheres bolivianas em São Paulo
Esse ano, o FICAS se dedicará ao acompanhamento do Grupo Semillas, além do fortalecimento de um novo coletivo e de outras iniciativas em parceria com a Fundação Avina.

O ano de 2018 foi um marco na atuação do FICAS junto à temática da migração, consolidada pelo Programa de Formação de Coletivos de Migrantes e Refugiados/as realizado em parceria com a Fundação Avina e a Missão Paz, organização referência na acolhida a migrantes e refugiados em São Paulo. Participaram desta 1ª edição, em São Paulo, dois grupos de 20 mulheres imigrantes cada, sendo um deles composto por filipinas e outro por bolivianas.

O programa tem como objetivos: fortalecer os vínculos de confiança entre as mulheres dos coletivos, de modo que possam se apoiar nos desafios e sonhos; aprofundar o autoconhecimento e o conhecimento do grupo, de forma a fortalecer o sentido da vida no local (comunidade, cidade e país) onde estão vivendo hoje; construir coletivamente uma visão de futuro (sonhos e desejos), desenhando as primeiras estratégias para alcançá-los.

"Para a Fundação Avina, esse Programa tem uma importância significativa, pois o fortalecimento dos processos organizativos das comunidades migrantes reforça sua resiliência para enfrentar as diversidades e para encontrar meios para a construção dos seus projetos de vida longe de seu país. O apoio a esses processos de formação de coletivos ajuda a promover uma consciência sobre a importância da colaboração e das trocas entre estas pessoas que têm uma mesma origem e cultura. Juntas têm mais força e maior capacidade de construção de um ambiente colaborativo, com vista a superação das dificuldades e problemas comuns", afirma Rogenir Costa, coordenadora programática da Fundação Avina.

Realizados na sede do FICAS no período de abril a novembro, os encontros de trabalho de cada grupo que participou do Programa eram quinzenais, com duração de oito horas e aconteciam aos domingos, respeitando a rotina de trabalho das participantes. Coletivos com vínculos e identidade (pessoal e grupal) fortalecidos, com uma visão clara de onde querem chegar juntos e com estratégias traçadas para isso, além de mulheres mais empoderadas e fortalecidas, foram os principais resultados dessa edição.

Em 2019, o trabalho com a Fundação Avina está seguindo por meio do processo de fortalecimento desse coletivo de bolivianas, nomeado Grupo Semillas ("Grupo Sementes", em espanhol) e de, pelo menos, mais um coletivo, provavelmente de mulheres latinas que trabalham em oficinas de costura. "Penso que houve um avanço significativo frente aos resultados alcançados neste primeiro ano de trabalho, especialmente com a perspectiva de sistematização de uma metodologia para trabalhar com esses coletivos. O FICAS também atuará com nossos outros aliados no Programa Migração Laboral, bem como com os conjuntos das organizações com ações de advocacy nas políticas públicas", conta Rogenir.

> Saiba mais sobre os parceiros www.avina.net/avina/pt e www.missaonspaz.org.
(Foto: João Machado/FICAS)

Oficinas nas organizações e encontros do Conexão Social marcam o Programa de Formação em Gestão esse ano
A segunda etapa do programa realizado em São Paulo inclui acompanhamento técnico e oficinas nas organizações participantes. O grupo também se articulou e formou um coletivo social.

Com o objetivo de aprimorar a gestão das organizações da sociedade civil, promover a troca de experiências, a articulação e ainda estimular o fortalecimento de suas visões estratégicas, o Programa de Formação em Gestão do FICAS é oferecido às instituições gratuitamente há 14 edições. O grupo atual conta com representantes de 10 instituições de São Paulo, que são incentivados a multiplicar os conteúdos aprendidos junto a suas equipes.

Um dos carros-chefes da atuação do FICAS nestes 22 anos, essa edição do Programa conta com a parceria técnica da coach integral Paola Marinoni. Com metodologia lúdica, teórico-prática e incorporando novos métodos frutos dessa parceria, as reuniões de trabalho aconteceram quinzenalmente na sede do FICAS, na Vila Mariana, entre abril e novembro de 2018. Neste ano, a segunda etapa da formação incluirá encontros nas próprias organizações e acompanhamento técnico.

"Acredito que o programa seja muito importante para o fortalecimento das organizações, especialmente nos dias de hoje, uma época de retrocessos que pede nossa união. Temos uma extensa gama de coletivos e organizações no Brasil que praticam ações locais indispensáveis para o desenvolvimento comunitário. Foi fundamental para o ESF-SP iniciar a formação logo após sua formalização como associação, quando precisávamos muito de apoio para estruturação e profissionalização", conta Ligia Monteiro, diretora geral dos Engenheiros Sem Fronteiras - núcleo São Paulo. "O programa não foi somente onde aprendi processos e ferramentas de gestão. Foi também um espaço em que pude crescer na esfera pessoal, dialogando com pessoas diferentes, participando de dinâmicas e atividades práticas que proporcionaram uma troca muito rica", completa.

Primeiros resultados
Como sinal do fortalecimento do grupo e de ensaio de uma atuação em rede, algumas parcerias já podem ser observadas. O FICAS, por exemplo, vem facilitando o planejamento do Samaritano São Francisco de Assis, uma das organizações participantes. "Como facilitador na construção do nosso planejamento estratégico (2017-2019), o FICAS teve um papel fundamental de mediar as discussões em plenária, de apontar caminhos para reflexão nos grupos e ajudar a construir ferramentas para a elaboração do plano deste ano. Uma contribuição importantíssima, com uma metodologia que facilita o entendimento!", declara o coordenador José Bernardino, após a reunião de dois dias que aconteceu em janeiro, com a participação de 17 pessoas da equipe do Samaritano.

Muitas das organizações da turma também criaram de modo orgânico, no final de 2018, o coletivo Conexão Social, a partir do desejo de fortalecimento e união no setor. O grupo já realizou várias ações de mobilização de recursos, incluindo um show beneficente da cantora Mariana Melo no FICAS, e contou com sua primeira reunião oficial em fevereiro. Os encontros deverão ser mensais, a fim de buscar os caminhos para atuação do coletivo e planejar futuras ações conjuntas.

> Veja fotos do Programa no Facebook do FICAS.
> Saiba mais sobre o trabalho da Paola Marinoni: www.paolamarinoni.com.

(Foto: acervo FICAS)

FICAS facilita planejamento de conselho municipal e encontro de advocacy
O trabalho junto ao Conselho Municipal de Imigrantes de São Paulo e o Encontro Migração & Advocacy, de Brasília, reforçam a atuação com o tema migratório.

Como parte de uma atuação mais efetiva com o tema da migração, o FICAS contribuiu com duas importantes iniciativas deste campo nos últimos meses. A primeira atividade, realizada em dezembro de 2018, foi a facilitação de uma oficina de planejamento do Conselho Municipal de Imigrantes de São Paulo.

O conselho foi criado em outubro de 2017 e teve sua formação prevista na Política Municipal para a População Imigrante do ano anterior, com o objetivo de acompanhar a implementação dessa política e pautar o poder público com as demandas da população migrante. O Conselho é formado por 16 integrantes, metade da prefeitura e metade da sociedade civil, eleitos por voto direto de imigrantes residentes em São Paulo. Na atual formação, há representantes da Coreia do Sul, Chile, China, Peru, Senegal e Síria.

Para realizar essa oficina, o FICAS realizou reuniões preliminares com representantes e lideranças do conselho para envolvê-los na construção da agenda do planejamento. Utilizando atividades lúdicas e estimulando a participação de todas/os, na oficina foi possível revisitar os objetivos e construir as principais ações para 2019.

Entre os dias 23 e 24 de janeiro de 2019, foi a vez do FICAS facilitar o Encontro Migração & Advocacy, em Brasília (DF). Promovido pela Fundação Avina em parceria com o Instituto Migrações e Direitos Humanos - IMDH, o evento reuniu representantes de cerca de 15 organizações da sociedade civil de referência e de especialistas nesta temática. Com o tema "Estratégias frente ao cenário político atual no Brasil", o encontro estimulou os participantes a analisarem o contexto da migração e do refúgio no país e desenvolverem habilidades para colocarem em prática estratégias de advocacy, com foco na prevenção de possíveis retrocessos nestes temas.

"O IMDH já contou por várias vezes com o apoio de FICAS na condição de facilitador de encontros e atividades e esta relação que já se estabeleceu criou um sentimento de confiança no trabalho competente e qualificado que presta. Habitualmente temos tido avaliações positivas dos participantes também", afirma Rosita Milesi, diretora do IMDH. "A metodologia utilizada contribui para o desenvolvimento das atividades deste tipo de encontro, pois o FICAS adota métodos e práticas motivacionais, que envolvem todos os participantes para construir propostas, ao mesmo tempo em que dá oportunidade para cada um assumir sua parcela, definir seu compromisso num contexto coletivo, voltado à meta comum, mas com atividades diversas", completa.

A metodologia utilizada no encontro de Brasília utilizou como pilares os quatro elementos da natureza, onde a “água” traz adaptabilidade e esperança para avaliar o contexto, o “fogo” remete à atitude e iniciativa para pensar em práticas, o “ar” vem com ponderação e astúcia para trazer visão de futuro e a “terra” com sua firmeza dita a linha do plano. “Além de ressaltar o processo de construção coletiva, iniciamos o encontro com a pergunta ‘Como estamos agora?’. Grande parte do grupo chegou com expectativas altas pela troca de experiências e por poder construir estratégias em conjunto, o que contribuiu muito com a facilitação”, conta Paola Marinoni, que co-facilitou o encontro ao lado da Andreia Saul, do FICAS.


> Saiba mais sobre o Conselho Municipal de Migrantes de São Paulo.
> Confira fotos do Encontro Migração & Advocacy.

(Foto: Tainá Aragão/IMDH)


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Fortalecer organizações da sociedade civil, associações comunitárias e coletivos para que compreendam e assumam cada vez mais um papel estratégico nas mudanças sociais é a razão de existir do FICAS. Por meio de uma metodologia que tem a participação, ludicidade e afetividade como principais pilares, os programas trabalham conteúdos que aprimoram a gestão e a atuação desse público, além de estimular a articulação entre os participantes e com outros atores sociais.
Todos os programas são gratuitos para os participantes, por conta disso, precisa de investidores continuamente. Quer ser parceiro do FICAS e agregar sua marca a programas de resultados comprovados? Entre em contato pelos telefones (11) 3045-4313 e 3849-0715 ou pelo e-mail comunicacao@ficas.org.br. Será um prazer tê-lo/a conosco!

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Jornalista responsável: Paula Rodrigues